Artigo
Cegonhas do Alto Alentejo
As cegonhas fazem parte da paisagem do Alto Alentejo, mas a proximidade tornou-as quase invisíveis aos nossos olhos. O Valentim explica como vivem, o que comem, porque algumas já não migram e que perigos enfrentam — dos resíduos agrícolas às linhas elétricas — mostrando como pequenos gestos podem ajudar a protegê-las.
- Categoria
- Formação
- Publicado
- 25 de agosto de 2026
VALENTIM EXPLICA
Ficha n.º 1 · Agosto de 2026
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Olá, a todos.
Eu sou o Valentim Valentão.
E, a partir de hoje, vosso correspondente oficial para assuntos relacionados com animais que não ladram, não miam e, em alguns casos, vivem muito mais alto do que eu consigo levantar a pata.
Para a primeira ficha desta coleção, não precisamos de viajar para África, entrar numa floresta tropical ou ver um documentário narrado por uma voz muito séria.
Basta sair à rua.
Estamos no Alto Alentejo.
Em Alter do Chão basta olhar com alguma atenção para a paisagem, para os campos, para os postes, para as torres e para algumas estruturas altas.
Elas estão lá.
As cegonhas.
Grandes, elegantes, de pernas compridas, bico vermelho e aquele ar solene de quem está num poste há vinte minutos a observar a humanidade e já chegou a conclusões pouco favoráveis.
Vemo-las tantas vezes que corremos um risco curioso:
deixar de as ver.
É uma mania bastante humana.
Aquilo que é raro torna-se extraordinário.
Aquilo que está todos os dias à nossa frente torna-se paisagem.
Mas uma cegonha não é decoração alentejana.
É um animal selvagem extraordinário, um predador, uma migradora capaz de atravessar continentes, uma construtora de ninhos gigantescos e uma das nossas vizinhas mais antigas.
E merece que olhemos para ela como tal.
PRIMEIRO, VAMOS ACABAR COM A HISTÓRIA DOS BEBÉS
Sim.
Temos mesmo de começar por aqui.
As cegonhas não transportam bebés.
Nunca transportaram.
Não existe maternidade aérea.
Não trabalham para nenhuma empresa de entregas.
E nenhuma cegonha alguma vez aterrou em Alter do Chão, bateu com o bico à porta e disse:
"Boa tarde. Trago aqui um recém-nascido para o número 23. Pode assinar?"
A história nasceu de antigas tradições europeias e foi sendo transmitida entre gerações.
Durante séculos, alguns adultos acharam aparentemente mais simples inventar uma ave que transportava crianças num pano do que explicar às crianças de onde vinham realmente os bebés.
A humanidade sempre demonstrou uma enorme criatividade quando é necessário evitar uma conversa incómoda.
A cegonha ficou com a fama.
Mas a verdadeira história desta ave é muito mais interessante.
A CEGONHA-BRANCA É UMA ALENTEJANA MUITO VISÍVEL
A cegonha-branca, Ciconia ciconia, é uma presença particularmente característica do sul de Portugal.
Campos agrícolas, searas, pousios, pastagens, linhas de água e outras zonas onde encontra alimento fazem parte do seu território.
E o Alto Alentejo oferece-lhe muitos destes ambientes.
É por isso que, para quem vive em Alter do Chão e nos concelhos vizinhos, encontrar uma cegonha não é propriamente um acontecimento raro.
Está no campo.
Está num poste.
Está numa torre.
Está num ninho enorme.
Às vezes está simplesmente parada a olhar para nós.
Não sabemos o que pensa.
Provavelmente é melhor assim.
Muitas cegonhas utilizam estruturas construídas pelos humanos para nidificar.
Postes elétricos, torres, edifícios e outras estruturas altas tornaram-se parte da paisagem onde esta espécie vive.
É um belo exemplo de adaptação.
Nós construímos uma coisa.
A cegonha olha.
Analisa.
E conclui:
"Obrigado. Agora é minha."
Propriedade adquirida por ocupação.
Muito eficiente.
ALGUMAS JÁ NEM VÃO PASSAR O INVERNO A ÁFRICA
A cegonha-branca é conhecida pelas suas grandes migrações entre a Europa e África.
São viagens de milhares de quilómetros.
Sem GPS.
Sem telemóvel.
Sem postos de abastecimento.
Sem uma única discussão sobre qual era a saída correta da autoestrada.
As cegonhas utilizam correntes ascendentes de ar quente para ganhar altitude e depois planar durante grandes distâncias, poupando energia.
É uma estratégia extraordinariamente eficiente.
Mas há uma mudança curiosa.
Hoje muitas cegonhas permanecem em Portugal durante todo o ano.
Se existe alimento disponível e não é necessário enfrentar uma longa e perigosa migração até África, algumas simplesmente ficam.
E um dos alimentos que contribuiu para esta mudança foi o lagostim-vermelho-da-Louisiana, uma espécie invasora que se tornou muito abundante em várias zonas da Península Ibérica.
Resumindo:
A cegonha analisou riscos, benefícios, disponibilidade de recursos e consumo energético.
Depois tomou uma decisão.
Há reuniões humanas de três horas que não conseguem fazer o mesmo.
E O QUE COME UMA CEGONHA?
Muita coisa.
A dieta é bastante variada.
- Insetos.
- Gafanhotos.
- Grilos.
- Minhocas.
- Anfíbios.
- Peixes.
- Lagartos.
- Cobras pequenas.
- Roedores.
- Crustáceos.
- E outros pequenos animais que encontre durante a procura de alimento.
Quem já viu cegonhas atrás de um trator talvez tenha pensado que estavam apenas interessadas em agricultura.
Não.
A máquina revolve ou movimenta o solo e deixa pequenos animais expostos.
A cegonha percebeu a oportunidade.
O agricultor faz o trabalho pesado.
Ela aparece para almoçar.
Chamemos-lhe inteligência logística.
Por se alimentarem de muitos organismos presentes nos ecossistemas agrícolas, as cegonhas participam naturalmente nas cadeias alimentares e no equilíbrio das comunidades animais.
Podem consumir insetos, pequenos roedores e até grandes quantidades de lagostim-vermelho-da-Louisiana.
Isto não significa que devamos contratar cegonhas como serviço municipal de controlo de pragas.
A natureza não funciona assim.
Mas significa que cada espécie desempenha funções e estabelece relações com muitas outras.
Retirar uma peça do sistema pode afetar outras peças.
Um ecossistema é muito parecido com certas famílias.
Toda a gente acha que aquele primo não faz falta até ao dia em que ele deixa de aparecer e alguém percebe que era o único que sabia arranjar a caldeira.
OS NINHOS SÃO VERDADEIROS EDIFÍCIOS
Um ninho de cegonha pode tornar-se gigantesco.
Os casais reutilizam frequentemente os locais de nidificação e vão acrescentando material ao longo do tempo.
- Ramos.
- Ervas.
- Vegetação.
- Mais ramos.
- Mais material.
- Outro ramo porque aparentemente ainda havia espaço.
Ano após ano, a estrutura aumenta.
Alguns ninhos podem atingir dimensões impressionantes e pesar centenas de quilos.
E há ainda hóspedes.
Pequenas aves podem aproveitar partes da enorme estrutura para instalar os seus próprios ninhos.
Ou seja, aquilo que nós vemos como "um ninho de cegonha" pode acabar por funcionar como uma espécie de condomínio.
A diferença é que ainda não descobrimos nenhuma reunião de condóminos.
Provavelmente vivem melhor por causa disso.
MAS HÁ UM PROBLEMA: ELAS TAMBÉM LEVAM O NOSSO LIXO PARA CASA
E chegámos a uma parte menos divertida.
Quando uma cegonha procura materiais para construir ou reparar o ninho, não possui um manual que diga:
"ramo natural, bom".
"cordel de plástico, péssima ideia".
Ela recolhe aquilo que encontra.
E nos terrenos agrícolas pode encontrar fios sintéticos utilizados para enfardar feno ou palha, pedaços de corda, plástico, redes, tecidos e outros resíduos deixados no ambiente.
Para nós pode parecer apenas um fio esquecido no chão.
Para uma cegonha pode transformar-se numa armadilha.
Esses materiais podem ser transportados para o ninho.
Uma pata pode ficar presa.
Uma asa pode ficar enrolada.
O pescoço pode ficar apertado.
Uma cria pode ficar imobilizada.
Pode haver ferimentos graves, perda de circulação, amputação ou morte.
Alguns materiais podem ainda ser ingeridos.
Tudo por causa de uma coisa que alguém deixou no campo e considerou insignificante.
É uma das grandes diferenças entre lixo e natureza.
Para nós:
"Depois apanho."
Para um animal:
"Encontrei isto agora."
E às vezes não existe depois.
Por isso, se utilizamos fios de enfardadeira, cordéis, plásticos ou materiais semelhantes, recolhê-los depois da utilização não é apenas uma questão de terreno arrumado.
É uma medida de proteção da fauna.
Não custa grande coisa.
Não exige uma comissão.
Não precisa de um plano estratégico de cinquenta páginas.
Apanhas o fio.
Guardas ou encaminhas corretamente.
Feito.
Às vezes proteger animais é extraordinariamente pouco cinematográfico.
E ainda bem.
AGRICULTURA E NATUREZA NÃO TÊM DE SER INIMIGAS
O Alto Alentejo é território agrícola.
Sempre foi.
Agricultura, pecuária, montado, pastagens e natureza coexistem há gerações.
Por isso seria absurdo fazer deste artigo uma guerra entre "os bons ambientalistas" e "os maus agricultores".
A realidade é muito mais inteligente do que isso.
Precisamos de agricultura.
E precisamos de biodiversidade.
Aliás, precisamos das duas no mesmo território.
O problema surge quando determinadas práticas provocam impactos evitáveis.
Produtos fitofarmacêuticos, incluindo pesticidas, quando usados inadequadamente ou em excesso, podem afetar organismos que não eram o alvo original, alterar a disponibilidade de alimento e entrar nas cadeias alimentares.
E as cegonhas comem aquilo que vive nesses campos.
- Insetos.
- Anfíbios.
Pequenos vertebrados.
- Crustáceos.
- Roedores.
Por isso, aquilo que fazemos no solo não fica necessariamente no solo.
A utilização responsável dos produtos autorizados, o cumprimento das regras de aplicação, a proteção das linhas de água, a gestão adequada das embalagens e a redução de utilizações desnecessárias ajudam não apenas as cegonhas, mas toda a biodiversidade agrícola.
Não se trata de apontar dedos.
Trata-se de perceber consequências.
Porque há uma coisa fantástica na natureza:
Ela não lê rótulos de propriedade.
A água que passa no teu terreno continua para outro.
O inseto atravessa a vedação.
O rato muda de campo.
A cegonha voa quilómetros.
O ecossistema não sabe onde termina a tua parcela no cadastro.
OS POSTES QUE SERVEM DE CASA TAMBÉM PODEM MATAR
As cegonhas utilizam postes e outras infraestruturas elétricas para pousar e construir ninhos.
São altos.
Têm boa visibilidade.
Parecem seguros contra muitos predadores.
Para uma cegonha, podem parecer um excelente terreno para construção.
Infelizmente, algumas configurações de linhas elétricas representam riscos de eletrocussão ou colisão para aves de grande porte.
É precisamente por isso que existem programas de correção de linhas, instalação de dispositivos de proteção e transferência de alguns ninhos para plataformas próprias.
Portanto, se um ninho está num poste elétrico e parece problemático, há uma regra extremamente simples:
Não armes em herói.
Não subas.
Não cortes.
Não retires ramos.
Não tentes deslocar o ninho.
Não inventes engenharia elétrica com uma escada e boas intenções.
Há entidades competentes para avaliar e intervir.
Além do risco para a cegonha, existe um risco bastante convincente de seres tu a precisar de resgate.
E como Presidente Honorário tenho de gerir recursos.
NÃO PERTURBES UM NINHO SÓ PORQUE QUERES UMA BOA FOTOGRAFIA
Outra coisa maravilhosa inventada pela humanidade:
o telemóvel com câmara.
Graças a ele conseguimos documentar natureza, aprender, ensinar e partilhar momentos extraordinários.
Também conseguimos aproximar-nos estupidamente de animais selvagens porque precisamos de mais quinze gostos numa fotografia.
Se encontrares um ninho ocupado, observa à distância.
Especialmente durante a reprodução e quando existem crias.
Não provoques voo dos adultos.
Não faças barulho desnecessário.
Não uses drones junto aos ninhos sem saber exatamente o que estás a fazer e o que é permitido.
Não transformes um local de nidificação numa atração improvisada.
Uma fotografia nunca vale o stress causado a um animal.
Há fotografias extraordinárias tiradas com distância, paciência e respeito.
Se a tua fotografia só funciona obrigando o animal a alterar o comportamento, talvez o problema não seja a objetiva.
TALVEZ UMA DAS MAIORES AMEAÇAS SEJA A NOSSA INDIFERENÇA
Uma cegonha ferida chama a atenção.
Uma cegonha presa num fio revolta-nos.
Uma ave eletrocutada impressiona.
Mas existe uma ameaça muito menos espetacular.
A degradação lenta do território.
Menos zonas húmidas.
Menos pequenos habitats.
Menos diversidade nos campos.
Linhas de água degradadas.
Lixo espalhado.
Contaminação.
Perturbação constante.
Tudo pequenas coisas.
Até ao dia em que já não são pequenas.
A conservação raramente acontece apenas quando alguém salva um animal ferido.
Começa muito antes disso.
Começa quando evitamos que fique ferido.
É menos emocionante para fotografar.
Mas é muito mais eficaz.
E AS CEGONHAS TRAZEM ALGUMA COISA ÀS NOSSAS COMUNIDADES?
Claro que trazem.
Para começar, fazem parte do ecossistema.
Predam vários animais e participam nas relações naturais entre espécies.
Também fazem parte da identidade da nossa paisagem.
Imaginem o Alentejo sem cegonhas nos campos.
Sem aqueles ninhos enormes nas torres e postes.
Sem a silhueta branca e preta a planar sobre as planícies.
Provavelmente só perceberíamos o que perdemos depois de desaparecer.
Como acontece demasiadas vezes.
A biodiversidade também tem valor cultural.
Faz parte da memória de um território.
Da infância.
Das histórias.
Das fotografias.
Daquilo que distingue um lugar.
E uma comunidade que preserva a sua fauna preserva também uma parte da sua própria identidade.
Uma cegonha em Alter do Chão não pertence à Associação Valentão ao Resgate.
Não pertence à Câmara.
Não pertence ao proprietário do campo.
Não pertence ao agricultor.
Não pertence à pessoa que a fotografou.
É um animal selvagem.
Mas pertence à paisagem que todos partilhamos.
E isso cria responsabilidade.
O QUE PODEMOS FAZER AQUI, NO ALTO ALENTEJO?
Coisas simples.
- Recolher fios de enfardadeira, cordas, redes e plásticos depois dos trabalhos agrícolas.
- Não abandonar resíduos no campo.
- Utilizar produtos fitofarmacêuticos de forma responsável e estritamente de acordo com as regras aplicáveis.
- Proteger linhas de água, charcas, margens e outros pequenos habitats importantes para a biodiversidade.
- Não perturbar ninhos.
- Nunca improvisar intervenções em postes ou linhas elétricas.
- Comunicar situações de animais feridos, presos ou em perigo às entidades ou organizações adequadas.
E talvez a coisa mais simples de todas:
Prestar atenção.
Olhar.
Conhecer.
Porque é muito mais difícil destruir aquilo que aprendemos a compreender.
A CEGONHA-PRETA, A PRIMA QUE PREFERE NÃO DAR NAS VISTAS
Já agora, há outra cegonha em Portugal.
A cegonha-preta, Ciconia nigra.
E essa joga outro campeonato.
É muito mais rara, discreta e sensível à perturbação humana.
Prefere zonas tranquilas do interior, vales encaixados, escarpas, áreas florestais e proximidade de cursos de água.
Em Portugal existem apenas cerca de uma centena de casais nidificantes e a espécie tem estatuto de conservação Vulnerável.
Se algum dia tiveres a sorte de encontrar uma, faz-lhe um favor.
Admira.
Mantém distância.
E deixa-a continuar a ser uma cegonha-preta.
Não publiques imediatamente as coordenadas do ninho para metade da internet poder aparecer no domingo seguinte.
Às vezes proteger um animal significa precisamente não dizer a toda a gente onde ele está.
AS CEGONHAS NÃO PRECISAM QUE GOSTEMOS DELAS
Esta talvez seja a parte mais importante.
A cegonha não precisa de ser nossa amiga.
Não precisa de festas.
Não precisa de dono.
Não precisa que lhe demos comida.
Não precisa que nos aproximemos.
Precisa de habitat.
Precisa de alimento.
Precisa de segurança.
Precisa de conseguir criar as suas crias.
E precisa que uma espécie chamada Homo sapiens justifique ocasionalmente o "sapiens" que decidiu colocar no próprio nome.
No Alto Alentejo temos a sorte de viver perto destes animais.
Talvez estejamos tão habituados que já nem levantemos os olhos.
Façam isso amanhã.
Olhem para os campos.
Olhem para os postes.
Olhem para o céu.
Quando virem uma cegonha, pensem por um momento naquilo que estão realmente a observar.
Um animal capaz de atravessar continentes.
De encontrar alimento em paisagens em constante mudança.
De regressar a locais de reprodução.
De construir uma estrutura enorme com o próprio bico.
De criar os filhos dezenas de metros acima do chão.
E de se adaptar à nossa presença sem jamais deixar de ser selvagem.
Depois olhem novamente para aquele fio de plástico abandonado junto a um fardo de palha.
Talvez já não pareça uma coisa tão insignificante.
Eu sou o Valentim Valentão.
Sou cão.
Sou Labrador.
Sou Presidente Honorário da Associação Valentão ao Resgate.
E vivo numa terra onde, felizmente, ainda podemos levantar os olhos e encontrar vida selvagem por cima das nossas cabeças.
Não precisamos de viajar milhares de quilómetros para proteger a natureza.
Às vezes basta começar pelo campo ao lado.
Pelo fio que apanhamos.
Pelo lixo que não deixamos.
Pelo ninho que não perturbamos.
Pelo animal em que finalmente reparámos.
Continuo a acreditar que vocês conseguem.
Não me obriguem a rever esta posição na próxima ficha.
Até lá, olhem para cima.
Talvez tenham vizinhos que ainda não conhecem.
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Valentim Valentão
Presidente Honorário
Associação Valentão ao Resgate
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PUB-26001
Valentim Explica · Ficha n.º 1 · Agosto de 2026
